3 de jun de 2008

O governo Uribe, doente de cretinismo topográfico

Autor: Okrim Al Qasal (Abajo el artículo original en catellano)
O governo da Colômbia, sempre equipado com seu inseparável computador-oráculo, anunciou aos quatro cantos que as Farc planejavam estender suas ações a outros países. A Madri (Espanha), mais concretamente. Isso mesmo, creiam!

Ao que parece, o Exército colombiano não conhece sua própria geografia, porque o plano -no caso de ser algo real - fazia referência ao município de Madri, no departamento colombiano de Cundinamarca, não à Madri castelhana, onde a guerrilha supostamente pretendia agir.
Alguém dirá que esse desconhecimento sobre a situação da Madri colombiana - onde há uma escola de suboficiais, potencial objetivo da guerrilha - se deve ao fato de que o referido município se encontra na parte mais profunda e inacessível da selva colombiana… mas, na realidade, está situado a 25 km de Bogotá, a capital do país.

É que os nomes dos municípios colombianos se prestam a confusões como essa, ainda mais quando alguém é incapaz ou está mal-intencionado - ou as duas coisas, como é o caso do governo do país, de se porta-voz local (”El Tiempo”) e seu ainda mais fiel porta-voz internacional, o jornal “El País”, da Espanha.

Por exemplo, o executivo de Uribe poderia ter anunciado também planos contra outras “cidades espanholas”, como por exemplo Segovia, Toledo, Granada y Cáceres (municípios do departamento de Antioquia), Córdoba (Nariño), Málaga (Santander) ou Pamplona (Norte de Santander).

Ou até mesmo delirantes incursões armadas em Valparaíso, Copacabana, Armênia, Argélia, Palestina, Filadelfia e até Veneza (suponho que um ataque naval), já que todos são nomes de cidades colombianas.

Surge a dúvida se esses “erros” são intencionais ou não. Recordemos de casos como o da suposta foto de Gustavo Larrea, ministro equatoriano do Interior, com Raúl Reyes, quando na realidade tratava-se de Patrício Etchegaray, dirigente comunista argentino. A foto foi exibida como troféu de caça por “El Tiempo” e pelo executivo colombiano, e teve ampla difusão internacional.
Mas as artimanhas do uribismo se saíram com mais uma das suas: já espalhou no inconsciente coletivo dos numerosos e desafortunados leitores de “El País” que as Farc pretendiam explodir monumentos como a estátua de Cibeles ou a Puerta de Alcalá. Disso se tratava, de se justificar moralmente diante da opinião pública internacional, como uma reserva para qualquer operação que seja levada a cabo. Ou não?

Por isso, duvido se o governo colombiano está enfermo de cretinismo topográfico. Ou simplesmente enfermo.

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