29 de mai de 2008

VÍDEO "YES WE CAN" - BARACK OBAMA (Legendado)

Independente das avaliações sobre o conteúdo ou as verdadeiras intenções do candidato Barack Obama, vejam como a força e beleza do seu discurso é um verdadeiro poema.
p.s.: Só pra ficar claro, estou torcendo pelo Barack Obama. Já ouviram falar da história do menos pior? Pois é.

CAMPANHA CONTRA A XENOFOBIA

Vejam o vídeo de uma campanha portuguesa super legal. A campanha se intitula "Até onde vai o seu preconceito?" e pretende combater o racismo e a xenofobía.

p.s.: Percebam que no vídeo o ator fala dos brasileiros.



OLHA O MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA AÍ GENTE!!!

MSM ESTUDA IR AO MINISTÉRIO PÚBLICO CONTRA NOVELA DA GLOBO
POR EDUARDO GUIMARÃES, do Cidadania.com

Das discussões que travamos no Cidadania (cidadania.com) surgiu o consenso de que todo aquele que não se sente representado por impérios de comunicação como a Globo, por exemplo, é um sem-mídia.
O Movimento dos Sem Mídia (MSM) nasceu de uma manifestação que propus em setembro de 2007 em protesto contra as manipulações dos grandes meios de comunicação. Este blog começou a discutir formas de reação e acabamos optando por nos manifestar diante da Folha de São Paulo, pedindo uma mídia plural e ética. Cerca de 200 pessoas se reuniram diante do jornal em 15 de setembro de 2007, quando foi lido um manifesto de sete laudas. Depois, o documento foi firmado por todas aquelas pessoas e entregue na portaria do jornal.
Houve cobertura de vários veículos da mídia dita "alternativa", tais como o site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, o site de Luiz Carlos Azenha, o site do PC do B (Vermelho.org), o jornal Hora do Povo, a revista Fórum, o site da revista Caros Amigos, o Terra Magazine e outros. Posteriormente, o MSM se manifestou de novo diante da sede da Globo em São Paulo. E, em 13 de outubro do ano passado, fizemos uma assembléia constitutiva da ONG, que foi então criada como pessoa jurídica. Dali em diante, vimos dando passos lentos, mas constantes, para que essa ONG se consolide como um instrumento da sociedade, daqueles que se preocupam com o uso indevido do poder de informar as massas.
Em 17 de março, o MSM protocolou no Ministério Público Federal de São Paulo uma representação contra grandes impérios de comunicação, tais como as Organizações Globo, o Grupo Abril, o Grupo Folha etc. Pedimos ao MPF que investigue a responsabilidade da mídia nas mortes e internações hospitalares de pessoas que se vacinaram sem necessidade contra a febre amarela, movidas pelo noticiário. A representação foi aceita e uma investigação foi instaurada, segundo carta que recebi do MPF na sede da ONG, que é também meu escritório profissional.
Devo esclarecer que cedi meu escritório à ONG devido a escassez de recursos que não lhe permitiria alugar um imóvel. O que acontece é que fiz inserir no Estatuto da ONG a proibição expressa de recebimento de doações de dinheiro público, apesar de a causa pela qual lutamos ser de interesse de toda sociedade. Alguns foram contra abrirmos mão de um direito que é estendido a qualquer ONG de ser financiada com dinheiro público. A própria mulher de FHC tem uma ONG que recebe recursos públicos. Contudo, a credibilidade, em meu conceito, é mais importante do que dinheiro para a organização que fundei. Assim, quero mantê-la acima de acusações políticas, ainda que a maledicência sempre encontre seu caminho tortuoso.
Mas, voltando à representação ao MPF, acredito que já deve haver alguma novidade na tramitação do processo. A representação foi redistribuída para um outro procurador e já houve tempo para algum avanço na investigação. Assim, nesta semana que entra comparecerei à sede do MPF em São Paulo a fim de obter informações.

Novos passos do MSM
Também quero comunicar aos filiados e aos não-filiados os novos passos que a ONG deve dar. Nos próximos dias, começarei contatos para a realização de um debate público sobre a mídia. Para esse seminário, pretendo buscar o comparecimento de personalidades da mídia dita alternativa e até da grande mídia. O MSM precisará de apoio de jornalistas com os quais tenho mantido contato e de todos os seus filiados, no sentido de que compareçam ao evento, que terá entrada franca.
Penso que um debate dessa natureza deveria contar com jornalistas dos grandes meios de comunicação e com outros da mídia dita alternativa. E também políticos e líderes de sindicatos e movimentos sociais, como Sindicato dos Jornalistas, a CUT, o MST, a Fenaj etc.
Dos filiados e não-filiados a ONG, pedirei a colaboração via doações, a fim de podermos fazer frente aos gastos com a realização do evento. Uma das formas de colaborar será clicando no banner da revista Fórum nesta página e assinando a revista, pois parte da renda auferida será direcionada ao MSM. Para quem não puder contribuir dessa maneira, uma alternativa para contribuir com valores menores será fazê-lo diretamente ao MSM. Quem quiser ajudar pode postar comentário aqui que darei mais detalhes. Quem quiser se filiar e apoiar o MSM, difundindo a ONG e arregimentando filiados, que coloque comentário aqui que igualmente darei informações.
Nova representação ao MPF
Também quero comunicar que, nesta semana, encaminharei à assessoria jurídica do MSM um estudo sobre uma nova denúncia ao MPF sobre a qual adianto agora alguns detalhes. As tevês abertas e privadas, as rádios, enfim, a mídia eletrônica administrada por particulares, de maneira nenhuma deixa de ser também pública, na medida em que a concessão de uso do espectro radioelétrico é pública. É por essa razão que, em época de eleições, há proibição do TSE de veiculação de opiniões sobre políticos nos meios de comunicação.
A teoria que fundamenta essa proibição é a de que as opiniões de meios de comunicação aliados ou adversários deste ou daquele grupo político podem constituir uso de um bem público com fins políticos sectários. Está errado que essa proibição exista apenas em época de campanha eleitoral. Nos próximos dias, terminará a novela da oito da Globo, "Duas Caras", de Aguinaldo Silva. Essa novela vem se constituindo num panfleto político-ideológico que usa o espaço público concedido à família Marinho para veicular suas opiniões político-ideológicas. Para que se possa mensurar a dimensão do uso político da concessão pública aos Marinho, a novela tem feito campanha contra cotas para negros em universidades públicas, começou a ser veiculada atacando o deputado cassado José Dirceu, o que gerou uma manifestação de sua ex-mulher, e agora faz apologia enviesada do movimento de classe média alta surgido no ano passado, o tal "Cansei"; fez alusão ao caso dos "dólares na cueca", de um petista, mas ignora escândalos de centenas de milhões de dólares como o da multinacional Alstom, em que esta fechou contratos fraudulentos com políticos do PSDB, tais como Covas, Alckmin e Serra, aos quais fez gordas doações para campanhas eleitorais. Para que uma medida jurídica seja efetiva, ela deve ter foco.
Se se fizer uma representação genérica ao MPF contra o uso político das concessões públicas que são as tevês e as rádios, a possibilidade de êxito diminui muito. Assim, pretendo encaminhar estudo ao setor jurídico do MSM no sentido de decidirmos se cabe uma representação contra a novela "Duas Caras", que está terminando.
O MSM caminha lentamente devido às dificuldades que já relatei, mas caminha. Que não se confunda a lentidão de nossos passos com interrupção da caminhada. A ONG é uma realidade jurídica e sonho com um dia em que se transformará num forte instrumento da sociedade civil para se contrapor ao abuso que as famílias Marinho, Frias, Civita, Mesquita e congêneres fazem do poder que tem, auferido, também, por meio da recepção de recursos públicos.

ABOLIÇÃO? ONDE?

Transcrevo trechos do excelente artigo de Maria Lucchetti Bingemer publicado no Correio da Cidadania. Boa leitura.

Abolição tardia e inconclusa
Por: Maria Clara Lucchetti Bingemer

A 13 de maio de 1888 foi declarada extinta a escravidão no Brasil, revogadas as disposições em contrário. A chamada Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel, marcava o tardio fim – em termos oficiais – da escravatura no único país das Américas onde a mesma ainda vigorava. São 120 anos de um ato de justiça que, no entanto, até hoje espera para ser plenamente concretizado.

Após uma longa campanha abolicionista e a assinatura de duas leis prévias à Lei Áurea – a Lei do Ventre Livre e a dos Sexagenários – era declarada extinta a escravidão no Brasil. Mas não se extinguia, assim, a questão, o problema nem o debate que continua tendo pertinência no país aparentemente alforriado. Pois, embora não exista mais escravidão no Brasil, o fato de tê-la tido por tanto tempo e até tão tarde marca sem dúvida o perfil brasileiro em relação à questão racial, fazendo com que o tema não deixe – tristemente – de ser mais do que atual.

O Brasil não é um país racista, mas, sem sombra de dúvida, ainda existe aqui o racismo. Não conhecemos o "apartheid" nos moldes sul-africanos, com guetos explícitos. E, no entanto, como deixar de reconhecer o "apartheid" social que segrega os pobres – dos quais muitos, tantos são afrodescendentes – nas periferias e favelas das grandes cidades, bem distantes da minoria branca, que vive amuralhada nos edifícios e condomínios de classe média?

Não temos nos transportes coletivos e públicos lugares reservados aos brancos nos quais os negros estão impedidos de sentar-se. Em nosso país, Rosa Parks – a corajosa militante negra norte-americana - poderia ter continuado seu trajeto no ônibus até o fim da linha sem ser instada a levantar-se para dar lugar aos brancos que subiam no veículo. E, no entanto, diversas moças como Rosa já passaram muitas vezes pela situação de, ao entrar em um prédio de apartamentos para fazer uma visita, serem conduzidas pelo porteiro à porta de serviço devido ao fato de serem afrodescendentes.

Em quantas batidas policiais – cada vez mais freqüentes em nossas cidades – muitos de nós não presenciaram, chocados, os afrodescendentes sendo brutalmente revistados e os brancos poderem seguir seu caminho tranqüilos? Ou quantas vezes uma mulher negra, ao preencher um cadastro, não é sequer indagada sobre qual é sua profissão, automaticamente registrada como "doméstica"?

Imensa dívida tem o Brasil para com os africanos que aqui aportaram depois de arrancados de suas terras e vendidos como escravos. Em três séculos de trabalho escravo, foram eles que ajudaram a construir as bases do desenvolvimento do país sem receber nada em troca a não ser o alimento para suportar o trabalho, a fadiga, os impiedosos castigos.

Cento e vinte anos depois, é tempo de reconhecer a dívida e lutar por políticas públicas que colaborem com a plena inserção dos afrodescendentes na vida cidadã e na plenitude de seus direitos civis. A abolição aconteceu legalmente em 1988. Hoje, no entanto, a lei assinada em 13 de maio requer um compromisso de todos para que seja efetiva e plena.

Último país das Américas a acabar com a escravidão, recordista mundial do tráfico de escravos africanos (cerca de 3,6 milhões de pessoas compradas e vendidas entre os séculos XVI e XIX), o fato é que nossa dívida para com os africanos e seus filhos e netos ainda não foi paga nem ao menos parcialmente.

A imensa maioria afrodescendente da população de um país onde o sangue africano corre na maioria das veias clama pela efetivação da igualdade anunciada na Lei Áurea. Os atabaques batem pedindo justiça. E a riqueza da cultura afro, presente no samba, na feijoada, na arte, na música, em tudo aquilo, enfim, que é o rosto do Brasil reconhecido no mundo inteiro só reforça essa urgência, que faz parte do verdadeiro "investment grade" ao qual o país deve aspirar.

Maria Clara Bingemer é autora de "Simone Weil - A força e a fraqueza do amor" (Ed. Rocco).
Fonte: Correio da Cidadania